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Bassana o lendário capitão da Seleção Nacional

Dando seguimento a série dedicada aos grandes ídolos do desporto nacional, NhaTerra Online conversou com uma das lendas do nosso futebol, o defesa Bassana.


 

Ele que é do tempo do futebol romántico, do amor a camisola, dedicou três décadas da sua vida ao serviço da Académica do Mindelo.

 

Apesar de todo o sacrifício e dedicação pelo emblema que carregou no peito com muito orgulho, o que é reconhecido até pelos adversários, ele carrega uma grande mágoa. Nunca foi homenageado e pior do que isso, foi expulso do clube que sempre amou.

 

Atualmente Jorge Crato Monteiro (Bassana) que em 1989 quando encerrou a carreira era o jogador cabo-verdiano com mais internacionalizações é professor de Educação Física na Escola Jorge Barbosa e treinador do Farense de Fonte Filipe da 2ª Divisão, na sua ilha São Vicente.

 

 

Início no Futebol Federado

Comecei no Amarante, em 1975, na época treinado por Djack Sena. Ele saiu e ficou o Armandinho que me tinha levado para o clube.

 

O Amarante tinha uma grande equipa, era como uma família, mas um desentendimento por termos reivindicado alguns direitos, levou os dirigentes mais velhos a nos expulsarem do clube. Eu, Armandinho, Bislac, Meia, Djosa d' Fausta, Sótan, Gadú, Portim, entre outros.

 

Eles [dirigentes] afixaram no clube, uma lista com nossos nomes, dizendo que não jogariamos mais no Amarante, isso na época 75/76.

 

Eu e o Gadú decidimos não jogar mais, mas com muita insistência o Vick e o João Carlos levaram-nos para treinar na Académica, em 76/77 e ficamos lá.

 

 

Vida dedicada a Académica

Entre jogador, treinador e dirigente, fiquei trinta anos na Académica do Mindelo.

 

 

Outros Clubes

Fui para Santiago, trabalhar como professor de Educação Física, na época 1981/1982 e joguei na Académica da Praia. Eu, Naldim, Soma e Agapito.

 

Na época seguinte fui para o Porto Novo e joguei dois campeonatos, numa equipa chamada Nha Venança que depois passou a ser Académica.

 

Ganhamos o campeonato de Santo Antão organizado por uma Comissão porque na época não tinha Associação. Na final vencemos em casa Desportivo da Ribeira Grande, por 3 a 1 na primeira mão e no segundo jogo ficamos 0 a 0.

 

Estando em Santo Antão, o técnico Eduíno Lima da Académica do Mindelo propôs-me treinar em Porto Novo e jogar todos os fins de semana em São Vicente. Aceitei e segundo os críticos foi a minha melhor época. Em 83/84 voltei para São Vicente e continuei na Académica.

 

 

Eduíno Lima, o Mestre

Tudo o que fiz durante a carreira foi graças ao professor Eduíno Lima que viu em mim, características que outros treinadores não perceberam e que nem eu sabia.

 

Foi uma luta para virar-me defesa, no início não queria mas tornei-me um jogador adulto graças ao Eduíno, para além das minhas características, forte fisicamente e tecnicamente razoável.

 

Mesmo assim agradeço todos os outros treinadores porque aprendi muito com eles. O Eduíno marcou-me porque acreditou em mim, em 1980 ele virou-me lateral, ensinou-me muita coisa e no ano seguinte já estava na seleção nacional como defesa.

 

Desde o futebol juvenil até o início nos seniores, eu era avançado. Joguei nessa posição no Santos de Monte Sossego, no X-Boys de Fonte Cónego e no Trá k' Peça da Ribeira Bote. Marcava muitos golos, meu forte era o jogo aéreo.

 

 

Seleção de Cabo Verde


Minha estreia foi em 1981, na Taça Amílcar Cabral disputada no Mali. Fui considerado um dos melhores jogadores de Cabo Verde e no ano seguinte na edição disputada aqui no País, já era sub-capitão, Bala era o capitão.

 

Segundo críticos, durante o meu tempo de seleção fui um dos melhores na minha posição. Lateral, direito e esquerdo.

 

Na altura a seleção realizava três a quatro jogos por ano e cheguei a 29 internacionalizações. Até parar de jogar quase vinte e dois anos [1989], era o jogador mais internacional.

 

 

Seleção de São Vicente

Foi das melhores coisas que aconteceu para mim, era praticamente uma chamada para a seleção nacional. Na altura São Vicente é que dominava o futebol nacional, através do Mindelense que era o maior campeão nacional.

 

No meu tempo discutíamos quantas vezes íamos para o Misto que ia premiar o campeão, se não éramos chamados era uma tristeza grande.

 

Também contava-mos as faixas que recebíamos nas datas comemorativas, era uma disputa sã. Na altura todos [jogadores] eram amigos e acima de tudo amávamos São Vicente.

 

 

Rivalidade com o Mindelense

Vivi sempre com Fair Play e com vontade de ganhar sempre. Quando conseguíamos ganhar o Mindelense dava gozo, mais por causa dos seus adeptos que eram ferrenhos.

 

Se o Mindelense entrava em campo com onze jogadores, com os adeptos eles viravam dezoito. Mindelense na altura tinha 70% dos adeptos de São Vicente.

 

Eles ganharam mais, mas das poucas vezes que ganhei valeu mais do que as que eles ganharam. Todos os adversários em campo para mim eram Mindelense. Respeitei todos, várias vezes senti injustiçado mas sempre com respeito.

 

 

Possibilidade de jogar em Portugal

Em 81 quando voltamos da Taça Amílcar Cabral no Mali, um amigo da família quis levar-me para o Rio Ave de Portugal, mas meu pai não deixou.

 

Ele disse que era para o Norte e meus familiares viviam em Lisboa e por isso não dava. Na altura obedecíamos os pais e ele é que me sustentava.

 

Também quando o Carlos Alhinho levou um pessoal para a Académica de Viseu tivemos uma conversa, mas atendendo a minha idade, ele preferiu levar jogadores mais jovens. Ele já tinha lá atletas experientes.

 

 

Fim da Carreira

Foi em 1989, num jogo com o Falcões. Disse a minha esposa que iria parar de jogar mas ela não acreditou.

 

Antes do jogo, perfilamos e despedi. Não tinha avisado, os dirigentes ficaram a saber no momento e disseram para não fazer aquilo que fariam uma homenagem para mim. A homenagem foi expulsar-me da Académica, anos depois.


Expulsão da Académica - A grande mágoa

Quando a Académica estava de rastos eu valia, só não fui tesoureiro porque não lidava com dinheiro. Tenho uma mágoa grande.

 

A expulsão aconteceu numa altura em que o clube tinha eleito novos dirigentes e eles pediram-me para ser treinador dos seniores e coordenador do futebol juvenil. A pessoa que fez esse pedido não tinha noção do que era isso.

 

Fiz uma proposta de remuneração para o trabalho e três semanas depois chamaram-me para uma reunião e fizeram-me como um copo descartável. Disseram que a Académica não tinha dinheiro para me pagar e fui mandado embora.

 

Na altura todos os técnicos do clube eram pagos menos eu, desde o futebol juvenil ao pessoal do salão [basket, andebol e volei], todos recebiam.

 

Porque eu era Académica nunca pedi nada, desde 1976 até parar de jogar, a única dívida que tinha com o clube eram os impressos das fichas que assinava. Jogava com minha bota, minha meia e meu calção, só usava camisola do clube.

 

Isso devido ao amor que tenho pelo clube e por ele fazer parte da minha família. Na casa onde criei todos eram adeptos da Académica e muito que transmito para os meus jogadores, aprendi nesse clube.

 

Trabalhava [como professor de Educação Física] com horário partido para poder treinar a Académica e não tomava turma extraordinário. Durante as aulas não tomava intervalo para poder ficar disponível para treinar o clube ás 16 e 30.

 


Adversários

Gostava de jogar sempre contra bons jogadores, poucos criaram-me problemas. Quando estava no fim da carreira defrontei um avançado rápido e bom que era o Zé d' Angola, travamos bons duelos. Mas Djack, Gab's, Gute, Baessa, Almara [todos do Mindelense] eram adversários difíceis.

 

 

Ídolos

Quando era garoto ouvíamos falar muito do Eusébio. Cabo Verde tinha grandes jogadores com condições para serem profissionais. Eduíno, Dick, Bety, o falecido Natal, ambos da Académica, Duca do Mindelense que era chamado Capataz, Luís Bastos da Académica da Praia, entre outros.

 

Minha geração teve grandes jogadores, Armandin, Cadino e o Pedras que me marcou muito. Lá fora Bekenbauer, Pelé, Rumenigue e Maradona.

 

Momentos Altos e Baixos

+ Ter sido campeão de São Vicente como jogador na época 87-88 e o primeiro título como treinador principal nos seniores, isso na época 2003-2004. Eu e o Costa [ex-defesa central e capitão da seleção nacional] como adjunto. Ambos os títulos foram com a Académica.

- Saída da Académica e lesão no primeiro jogo da Taça Amílcar Cabral, no Mali em 1989. A lesão foi num momento em que atravessava uma grande forma e o técnico Alexander Platchacov [russo] apostava muito em mim. Joguei só quinze minutos.

 

 

Comentários  

 
0 #5 Miguel Colito 10-12-2011 11:45
Tive oportunidade de conhecer essa grande personalidade, como jogador, como homem, como professor, como amigo, mas infelizmente em Cabo Verde só dão valor a pessoas que nunca fazem nada pelo país, enfim é o que temos. Força Bass, que continuas a ser esse grande homem que sempre foste e ensinar aos mais jovens valores que tendem em desaparecer da nossa sociedade.
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+1 #4 Renato Cardoso 02-08-2011 19:44
Acho que quem viu o Bassana a jogar e conheçe o Bassana como pessoa só pode render-lhe homenagem e tirar o chapeu a tudo o que ele feche em pelouro do futebol de SV e de Cabo Verde. Tive a felicidade de ele ser o meu tecnico por três anos que passei pelo Academica no futebol juvenil e juniores e aprendi muito com ele, aprendi a respeitar os nossos adversarios e colegas tornanda-nos a nossa equipa nuna verdadeira familia, força Bassana não dé muito enfase a essa falta de homenagem porque a sua verdadeira homenagem é reconhecida por todos por aquilo que fizeste ao longo da sua carreira e pela pessoa que tu es, obrigado por tudo aquilo que fizeste ao nosso futebol e por tudo aquilo que me ensinaste nos anos que estivemos jnutos no Academica, tiro sempre o chapeu para ti. Força sempre...
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+4 #3 Ralão 09-07-2011 09:44
Já tinha lido esta excelente matéria deste excelente homem e amante do desporto em geral, e do futebol em particular, portanto, não poderia deixar o meu comentário.

Desde criancinha vou a fontinha e sempre vi jogos da Micá com o nosso Bassana, sempre com muita dedicação e empenho, também tive o prazer de o ver jogar na seleção de S. Vicente e de Cabo Verde.

Hoje sinto-me orgulhoso de participar na equipa dos veteranos do Farense, onde há uma grande camaradagem e união por parte dos jogadores, equipa técnica e direção. Ele não é o meu treinador oficial, mas está sempre lá nos treinos acompanhando o time e orientando cada jogador nas suas respetivas posições, sempre motivando a equipe.

Valeu, valeu, valeu Bassana.
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+2 #2 odette crato monteir 14-06-2011 00:28
acabo de ler a tua entrevista gostei muito e sinto -me muito orgulhosa de ter um irmao" craque" de bola. you are the best and i love u beijos
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+5 #1 Amilcar dos santos 01-06-2011 20:46
grande personalidade no futebol saovicentino como caboverdiano com nos palavras dele ele era muito disciplinare com jogador
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1 Académica do Porto Novo [SA] 0 0 0 0

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1 Mindelense [SV] 0 0 0 0