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Janira Almada, a ministra que conquista a juventude

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Simpática, atenciosa e de fino trato, esta é a ministra Janira Hopffer Almada que vem conquistando a juventude pela inteligente política de proximidade que vem adotando.

Sua atitude é uma clara demonstração aos jovens de que ela também faz parte dessa faixa maioritária da população cabo-verdiana e que assim como eles, ela tem problemas, anseios e sonhos. Entre linhas deixa claro a seguinte mensagem "sou um dos vossos, podem contar comigo sempre". 

 

NhaTerra Online quis conhecer de perto a mais jovem governante do País e que faz parte da geração pós-Independência. Nasceu na Praia, três anos, dois meses e dezanove dias após o País se tornar uma nação independente e iniciar a caminhada rumo ao desenvolvimento.

 

Veio ao mundo no dia 27 de Setembro de 1978, sob o signo Balança que tem tudo a ver com a carreira profissional que iria seguir. Gosta de conduzir, faz footing, tem quase mil e quatrocentos amigos no Facebook, curte a música da Maira Andrade, realizou o sonho de ser advogada e a realização de outro grande sonho, a de ser mãe é questão de esperar o momento certo. Antes vai curtindo e paparicando o sobrinho.

 

Atualmente cumpre com zelo, dedicação e prazer, mais uma nobre missão que a vida lhe reservou, acumula as pastas governativas de Ministra da Juventude e da Presidência do Conselho de Ministros.

 

Após uma rápida abordagem pessoalmente, agendamos uma entrevista intermediada pela atenciosa assessora Carla Monteiro, na expetativa de que entre dois a três meses, a Ministra encontraria um espaço na sua apertada agenda para nos atender. Erramos na previsão, em menos de uma semana lá estávamos frente a frente com Janira Almada, numa sala do Palácio do Governo, logo ás 8 e 30, no início de mais um dia de trabalho.

 

Bem disposta e pronta para vencer mais dia da sua rigorosa agenda, ela nos atendeu e respondeu detalhadamente e com muita sinceridade, todas as nossas questões.

 

 

 

QUEM É JANIRA HOPFFER ALMADA?

 

Começamos talvez pela questão mais difícil. Pedimos para ela definir, quem é Janira Hopffer Almada, ela que até os 7 anos, morou no Platô e depois mudou para o Meio de Achada.

 

Resposta: ahahahahah esta é uma pergunta difícil, é mais fácil ou talvez mais correcto, você ou outras pessoas me definirem. Defino-me como uma pessoa que gosta de desafios e que não tem medo de se sacrificar quando acredita num ideal. Gosto de desafios porque é isso que me faz acordar todos os dias, o facto de saber que há uma situação difícil de ser resolvida mas que se eu me empenhar, poderei ultrapassar os obstáculos e resolve-la.

 

Falo sempre em capacidade de esforço e sacrifício porque foi-me ensinada desde pequena que na vida para as coisas valerem pena é fundamental que façamos a nossa parte, que coloquemos a mão. Não acredito muito em resultado sem esforço, sem sacrifício, até porque isso também acaba por nos fazer dar mais valor aos ganhos.

 

Por último referi a crença em ideais porque penso que para iniciar uma caminhada é fundamental que queira chegar a meta e que esta meta me consiga motivar. Por isso que acredito que trabalhamos, esforçamos, sacrificamos por um ideal, por causa das nossas convicções. Isso que nos faz passar por momentos menos bons, mas sem perder a coragem e a motivação e sobretudo sempre com a esperança de que o resultado valerá a pena.

 

Este é um pouco da personalidade da governante de porte físico imponente, cabelos longos, sorriso no rosto e que deixa sua marca por onde passa. Ela que viaja pelo País, põe de lado as formalidades do cargo e convive sem complexos com a juventude e por isso consegue dialogar de jovem para jovem, obter subsídios para as suas ações e assim refleti-los nas políticas para a camada.

 

 

 

ENTRADA NO GOVERNO

 

Há mais de dois anos no Governo, Janira Hopffer Almada conta que aceitou o desafio porque está sempre disposta a servir Cabo Verde, um País considerado por ela, um dos melhores lugares do mundo e que não gostaria de trocar por outro. Talvez esse foi um dos motivos que levou-a a regressar ao País antes do tempo previsto, quando adolescente e que foi morar em Portugal, enquanto a mãe concluía a Licenciatura.

 

"Foi muito estranho sair do meu País com 12, 13 anos. A vida aqui é sem sombra de dúvidas muito melhor, Cabo Verde é um País fantástico. Não sei se existirá outro lugar no mundo que tenha esta forma de ser, de estar e sobretudo de conviver, que é fantástica."

 

Além da vontade de contribuir para a construção de um País melhor cujo um dos exemplos ela deu ao colocar as mãos na campanha de limpeza contra a duengue no ano anterior e que NhaTerra Online testemunhou e documentou com a foto acima, a formação académica e a experiência profissional foram determinantes para que ela se desse bem no cargo.

 

Habituada ao rigor que a profissão de Advogada exige, não teve dificuldades em adaptar-se ao exercício da função governativa por já ter o hábito de ler longos dossiers, de estar familiarizada com a legislação e de preparar bem antes de qualquer tarefa.

 

 

OS ESTUDOS

 

Fez o Ensino Básico na Escola Grande no Platô, e o Secundário (Ciclo Preparatório) na EBET na Achada de Santo António e no Liceu Domingos Ramos, ambos na Praia.

 

"Na altura minha mãe lecionava lá mas não quis ser minha professora para não me prejudicar. Quando se tem filhos alunos o grau de exigência é mais elevado. Um pouco de distanciamento acaba por fazer sempre bem", justifica.

 

Estudou um ano em Almada - Portugal, quando sua mãe foi concluir a Licenciatura. "Eu e a minha irmã fomos para passar dois anos, período que a minha mãe necessitava para terminar."

 

Não aguentou e devido a ligação muito umbilical que afirma ter com o pai, o deputado e antigo ministro David Hopffer Almada, regressou ao País, após um ano por sentir muita falta dele. "Nada substituía o convívio quotidiano. Minha mãe continuou lá mais um ano, também claro que senti muita falta dela".

 

Concluíu os estudos no Liceu Domingos Ramos, fez o Ano Zero -- Área de Humanística -- e ganhou bolsa de mérito da Gulbenkian para cursar Direito, em Coímbra, Portugal.

 

 

COÍMBRA, UM MARCO 

 

"Minha passagem por Coimbra foi muito marcante. Há aquela música que diz que Coimbra tem mais encanto na hora da despedida, efectivamente é verdade, mas Coimbra tem sempre encanto", diz orgulhosa, ela que viveu e estudou nessa prestigiada cidade universitária, de 96 a 2002.

 

"Foram cinco anos de licenciatura, mais um de pós graduação, muito bem aproveitados, com grandes amizades feitas, sobretudo um momento fulcral para a consolidação da minha personalidade e o desenhar do seu futuro", acrescenta.

 

"Acredito que Coimbra me tenha dado alguma maturidade, muita responsabilidade e a grande ferramenta para o meu futuro. Senti quando regressei para trabalhar que a formação que fiz, não sei se seria completa mas senão, quase completa. Na prática enquanto advogada sentia que tinha as bases teóricas necessárias", constata.

 

Janira recorda que não teve problemas no exercício da profissão de Advogada, porque Coimbra lhe deu todos os exercícios teóricos e com satisfação, cita o conceituado professor universitário português, Gomes Canotilho que diz que não há nenhum caso prático que não se consiga resolver com uma boa parte teórica.

 

 

ADVOGADA POR CONVIÇÃO

 

Do signo Balança, símbolo do equilíbrio sua ligação com a justiça vem desde que chegou ao mundo e por isso, nunca teve dúvidas  sobre a carreira que queria seguir, o que ficou mais claro a partir dos treze anos.  Lia muito o Boletim Oficial e livros que tinham a ver com o Direito, além de ser muito estimulada pelo pai, embora este nunca quis influencia-la na escolha do curso a seguir.

 

"Meu pai sempre estimulou-me muito a leitura, a informação, a formação. Uma vez perguntaram-me se nós em casa não falava-mos português. Ele respondeu, não meus filhos falam português na escola e nos actos eventualmente oficiais, mas eles não aprendem o português falando em casa, porque o português aprende-se é sobretudo lendo. O que faço é estimulá-los a lerem muito para que possam aprender a falar bem e a escrever correctamente", lembra.

 

Após concluir os estudos, voltou para o País e depois de três dias já estava a trabalhar no escritório de advocacia do pai e a dar início na prática, a carreira que sempre sonhou. "Sempre quis ser advogada, exerci a profissão com muita paixão, com muita amor e não importava de ficar até ás quatro e meia da manhã a trabalhar quando tinha prazos judiciais para cumprir".

 

 

A FAMÍLIA

 

"O meu pai sempre foi um grande pai, muito amigo, muito companheiro e sobretudo que escuta muito os filhos. Mas sempre foi também muito exigente porque sempre nos disse que não lhe interessava dar-nos tudo, mas sim dar-nos as ferramentas para poder-mos andar com as nossas próprias pernas".

 

Janira acredita que foi isso mesmo que ele conseguiu fazer junto com a sua mãe no que tange aos filhos e agradece a deus por todos já terem a sua formação.

 

 

DESPORTO E ASSOCIATIVISMO

 

A função de ministra não foi a primeira missão de serviço a pátria prestada por Janira Almada. Antes, como desportista serviu a seleção nacional da basket.

 

Ela que desde cedo é engajada com causas sociais, além de jogadora, integrou os órgãos directivos da Associação Desportiva Recreativa e Cultural do Prédio.

 

Mas no desporto não é só de bola ao cesto que ela entende, gosta de futebol e é adepta do Sporting da Praia e do Benfica de Portugal. Pode até parecer um contra-senso, pois normalmente quem é sportinguista aqui é pouco provável ser benfiquista em Portugal, mas isso é gosto e gostos não se discutem.

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